domingo, 8 de setembro de 2013

Lágrimas não choradas

Tudo estava triste. E eu já não tinha mais tristeza para chorar. Me desacostumei com isso. Sempre a mesma agonia. E eu precisava de alguém apenas para dizer que tudo ficaria bem. E eu entrei em seu abraço, mergulhei em seus braços. Tímidas lágrimas começaram a brotar. Elas não se atreveriam a cair. Não naquela hora, não naquela situação. Fostes apenas um anjo sem asas que me resgatou. Que me permitiu com que a tristeza esvaísse, mas eu não permiti. Minhas lágrimas são minhas, ninguém deve ver minha dor. Ninguém precisa disso. Não sou digna de fazer isso com alguém. São apenas de minha autoria, e eu que tenho que sofre-las. Eu que tenho que mata-las.
       
Minhas receosas angústias queriam cair, mas eu não deixava. E nem deixarei. Voltem para seu lugar, fiquem em meu coração. Mesmo que eu precise, não apareça mais em minha vida. Se aparecer, que volte rapidamente. Vou engoli-las como sempre fiz. Vou ignorar sua presente necessidade. Que saia apenas para olhar a vida e me esvaziar, quando tudo estiver deserto. Mas voltem. Voltem e se prendam. Não sejam cruéis, não se esforcem, não insistam. Nada adiantará. Porque vocês estão presas, não merecem ser soltas. Eu não mereço solta-las.