domingo, 11 de agosto de 2013

Um Crime Quase Perfeito

E em um beijo roubei o coração de uma garota, com belas frases mergulhadas em falsos sentimentos, roubei o sono de outra, e em uma noite roubei a alma de mais alguma. Eu era um perfeito ladrão,  tão bom que ninguém desconfiava. Além de corações, noites de sono e almas, havia roubada a inocência, a dignidade, o orgulho a tranquilidade, a auto-estima e a felicidade. Eu era um ladrão de vidas. Roubava para tentar adquirir o que eu não tinha.

Um dia, conheci uma garota sem vida. Não tinha mais o que roubar, tudo o que era dela, era ela. E eu me encantei como um culpado indo em direção à prisão. Me instiguei com essa bela mulher sem beleza. Como poderia alguém não cair em meus truques mais fatais? Eu precisava entender. Fui atrás, experimentei a mais envolvente língua, utilizei a frases mais bem formuladas- que pela primeira vez eram reais- e aproveitei do mais seduzente corpo de alma vazia. E então eu me dei conta: o feitiço se virou contra o feiticeiro. Cai em minha própria armadilha, senti o gosto de veneno em minha boca.
     
E aquela garota que conheci na noite mais normal de todas, roubou o que eu não tinha e devolveu o que eu não quis. Roubou minha vida e me fez vivo.